Em uma casa destruída foi onde manifestei a minha consciência. E aos poucos “mergulhando” naquele recanto vazio logo passei a ouvir lamentos em pontos distintos daquele lugar. Como sempre o tempo passava e parava, simplesmente não havia noção de espaço, e aquela realidade se moldava a um inconsciente inteligente. O estranho e eterno dejavu que me acometia com cansaço o meu coração, em outras palavras, estava farto de viver aquele ciclo.
Até que nos primeiros passos naquela casa constatei pequenas chamas pairando no ar e iluminando aqueles recantos escuros, então ouvi o choro que provinha delas.
E aquele ambiente tão sombrio e lastimoso já me remetia a algum funeral etéreo... E por um momento imaginei serem espíritos aprisionados ali. Um inferno, um purgatório, não sabia dizer, e também não pude mensurar quantos eram, mas creio que eram dezenas que estavam espalhados.
Aquela escuridão, aqueles móveis, tão familiares, logo me deparei com uma mesa, e sobre ela havia uma garrafa vazia de vidro transparente. E dentro, havia uma luz, que piscava e se movia como um pequeno vaga-lume. Com cuidado a peguei e como uma criança curiosa a destampei.
E em vez daquele vaga-lume sair, as chamas ou espíritos daquela casa entraram na garrafa, e meu único instinto foi fechá-la.
Eu olhei através daquele estranho objeto, e vi um mundo, de luzes, de vidas, de memórias presas... Uma pequena criança que crescia, um bebê que chorava, um adolescente que sofria, um adulto que morria, personagens tão diferentes, que me levaram a ter afeição... Queria libertá-los, mas a tampa havia sumido, e a forma daquele objeto havia se tornado esférica.
Aqueles espíritos presos em um universo na palma das minhas mãos... A treva foi me cobrindo, a minha forma foi se esvaindo, e a única vontade que tive era de chorar também, e numa maneira pueril desejava tirar a dor daqueles que sofriam ali nas minhas mãos.
Aqueles espíritos presos em um universo na palma das minhas mãos... A treva foi me cobrindo, a minha forma foi se esvaindo, e a única vontade que tive era de chorar também, e numa maneira pueril desejava tirar a dor daqueles que sofriam ali nas minhas mãos.
Mas não consegui, aquele universo preso por uma camada transparente, não os deixava sair. Senti o meu espírito adormecer num negrume do vácuo, senti que só aquele universo restou naquele vazio.
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Imagem: (?)
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