quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A avenida


Data da experiência: 26.10.2009

Nascendo do breu os primeiros raios de luz formaram o asfalto de uma grande avenida que se estendia pela orla dum litoral. No horizonte avistei parte de uma praia onde inúmeras pessoas se divertiam e passavam o tempo com suas famílias. Mas não conseguia reconhecer ninguém e não estava familiarizado com aquele lugar.

Resolvi caminhar e fui passando por casas feitas de palha e alvenaria no lado leste, e por prédios enormes, hotéis, albergues que estavam no lado oeste, de acordo com a orientação daquele sol. Não notei nada de especial e sequer houve distorção temporal. As horas realmente pareciam passar como no mundo físico, acredito que tenha andado por mais de duas horas ali.

Até que cheguei numa parte onde uma fileira de palmeiras se estendia nos dois lados daquela avenida. Elas formavam um arco estranho cujos troncos estavam torcidos pra dentro. E olhando pra cima notei que as nuvens em determinado momento se abriam como um rasgo no céu na mesma direção daquela avenida.

Então senti uma força transpassando o meu corpo e atingindo o chão. Algo me dividia em duas metades, da ponta da cabeça aos pés, cortando meus chacras em dois. Minha alma se conectou com a terra e eu descobri que ela também sentia aquilo como ser vivo, era Gaia que tremia e pulsava feito um coração. E emergindo do chão para o firmamento, uma linha prateada se formou  ligando o céu e a terra.

E o flash! Tão rápido que não deu tempo pra racionar. Daquele pequeno tremor pulsante transformou-se numa convulsão, o asfalto se rachou e foi aumentando progressivamente. Enormes fossas se abriram, canos partidos apareceram criando enormes gêiseres, vi construções subterrâneas e prédios do outro lado da avenida sendo engolidos.

Parado sem conseguir mexer as pernas, vi as palmeiras desabarem num efeito dominó. E de mim. Algo transcendeu, se por causa da morte ou não, já estava fora do corpo pairando no céu. E de lá vi aquela cidade litorânea afundar com uma grande onda que saiu das águas em meio a gritos e abalos de terra.

Em questão de minutos nada ficou, só entulho, barro e uma grande fenda que parecia ter nascido do oceano(?) e rasgado metade da cidade até sumir no oeste.

E mais uma mais vez o breu me cobriu com silêncio pra logo despertar.
_______

Imagem: Tsunamide (?)

0 Comentários:

Postar um comentário