Data da experiência: 22.10.2009
Saindo duma escura neblina que turvava a minha visão, passei a ter consciência naquele espaço quando percebi luzes rarefeitas piscarem num corredor sem fim. Vi que eram lâmpadas fluorescentes que estavam no teto, e no primeiro momento, já estava correndo com um grupo especializado para efetuar um mandado de prisão, ao que parecia, estava com eles para observar o modus operandi (...).
O local era um edifício abandonado ou se encontrava em obras, acho que estava no subsolo, já que não tinha janelas, apenas corredores que embora iluminados, passavam por recintos escuros. Sentia uma sensação claustrofóbica terrível impelindo a correr ainda mais pra chegar a sei lá onde.
Não houve tempo pra pensar e a noção do tempo se distorceu abruptamente. Já estávamos numa sala de controle de segurança, havia televisões, todavia, elas não estavam conectadas em câmeras aleatórias como costumava ser, mas sim, estavam conectadas numa sala ou uma câmara escura, iluminada apenas por um grande círculo de velas em seu centro.
Pelos aparelhos vi um homem na frente de um altar, ele estava fora do círculo iniciando um ritual de invocação, fazendo passes e sinais com as mãos, por um momento parou e começou a gesticular com a boca, acredito que estivesse entoando cânticos. Meus colegas disseram pra não entrar e deram causa perdida para aquele cidadão.
- Vai se foder fodendo. - Disseram.
Naquele instante não havia entendido, então, só observei, até sentir uma bilocação (ou estado de onisciência naquele plano).
Na entrada daquela câmara, caminhei atravessando a escuridão vendo as luzes das velas logo à frente, parei atrás daquele indivíduo. O local ritualístico estava cheio de chaves ou símbolos aparentemente (…), algo se abriu ali naquele chão; vi labaredas emergirem do buraco e das velas, e aumentarem, a ponto de atingir o teto. Senti a porta do inferno abrir e o ódio parecia tomar forma, pressenti algo diabólico brotando ali.
E da fenda no solo, dentro do círculo, saiu uma formosa mulher (acrescentaria muitos adjetivos), ela estava nua, era alva e tinha em torno de um metro e noventa de altura, seus olhos eram negros e o semblante tinha um ar lascivo. Ela emanava um vigor sexual predatório e falava num gutural chamando aquele homem pra dentro do círculo.
Quando ele deu os primeiros passos atravessando a primeira linha, ela com força puxou atirando-o no chão, rasgando a blusa e começando a dar um beijo sedento, em seguida começou a dar mordidas no pescoço fazendo o sangue escorrer, depois ela foi rasgando a calça e as roupas íntimas jogando os farrapos pra fora do círculo. Ela embebedava-se naquele sangue num êxtase orgástico, e em certo momento, quando já fazia sexo oral nele, as velas novamente tiveram as suas labaredas aumentadas e o enlace se iniciou.
A expressão dele era de dor e prazer e na posição de par de tenazes sobre ele, a entidade consumava o coito em movimentos densos que logo foram ficando rápidos. Ela tinha o total controle e os dois em uma só carne passaram a levitar do chão. Ela, no ar, empurrava para baixo o tórax do homem ficando de ponta-cabeça. O peitoral dele começou a ser rasgado jorrando muito sangue, até que os dois caíram, ouvi um estalar de ossos (acho que a pélvis dele quebrou, pensei).
Então a coisa só veio a piorar, (...). As estocadas foram ficando mais fortes até que ela o abraçou. Ele sentando na posição de lótus e ela por cima, os corpos tremiam num espasmo.
A minha visão começou a desfocar e senti a minha consciência voltar para o corpo na central de segurança. De lá ouvimos uma explosão e corremos pra sala, deparamo-nos com uma visão aterradora, no lugar onde estavam os dois, havia uma massa plasmática pairando no ar, feito um líquido espesso sem sofrer o efeito da gravidade, era vermelha, que acredito ser oriunda de sangue.
Pedaços de um corpo masculino estavam ali e também vi um feto humano(?) naquele plasma. O embrião se alimentava daqueles restos e crescia depressa, resolvemos então colocar fogo em tudo. E quando o incêndio começou, o fogo passou a consumir toda a câmara, então aquela coisa começou a gritar feito porco quando degolado, e na saída, a última visão que tivemos foi de um portal que se abria e a sombra de asas, em seguida as labaredas aumentaram e corremos.
Quando ficamos em um local seguro, os rapazes falaram: “Dali nasceria o nephilim”.
E um breu me cobriu com o silêncio e fiquei naquele estado até despertar.
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Imagem: Ghost Foetus in the Womb, de (?)
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