Data da experiência: 06.10.09
Os meus olhos se abriram com força, mas eram ofuscados por um alvo brilho, que mais parecia vir de uma anã branca (estrela), em seu ponto alto no céu. Quando saí daquele tempo/espaço, passei a deslumbrar uma sala de aula, onde todos ali sentados eram desconhecidos e falavam com um sotaque diferente.
Logo aquela realidade se distorceu e depressa desdobrou para o intervalo daquele curso. Então, entre inúmeros transeuntes, passei a andar pelos corredores daquele imenso edifício, e perdido, já era óbvio saber que não estava na cidade onde morava.
De repente, o corredor ficou em silêncio, e todos aqueles indivíduos sumiram por um momento. Reconheci uma pessoa ali no meio, parada (…); ela me viu e entrou em uma daquelas salas. A luz branca começou a ofuscar novamente, não sei de onde aquele brilho vinha, parecia emanar de todo lugar, e ao entrar naquele cômodo, veio um clarão.
E num desenrolar nonsense, vi memórias disformes, onde a carnalidade e o fruto de paixões enganosas mostravam o antes e depois, tudo ali, naquele ambiente de curso(?). Eram dela, e ela não era quem dizia ser, usava uma máscara social pra conviver entre eles. Não era mais a mesma pessoa que conheci, em momentos de fraternidade do passado; algo estava nela ou era ela realmente.
Depois apareci em outro lugar, era uma rave em algum sítio no interior. Eu vi os mesmos rostos que estavam naquelas salas, só que agora, estavam na azaração típica que vemos nessas festas. E a mesma pessoa estava lá, degradada, e olhava sorrindo, com um semblante vazio, sentando no colo de vários homens (...). Era um corpo sem vida na minha frente, e aqueles vultos levavam a sua essência e escurecia os seus olhos, ela se entregava em orgias e mais orgias, até cair em uma treva profunda.
- O pior demônio é aquele que criamos, e mais grave que isso, é descobri-lo naqueles que amamos. - Meu alter ego disse.
Tentei repetir várias vezes: não era ela, não era ela. Quando tive uma epifania ao acordar. Veio a seguinte compreensão: o que nos difere dos monstros e paladinos é se optamos “estar” numa condição ou outra. Não existe o bem perfeito na condição carnal, já que nunca deixaremos de errar, e nem o mal completo, já que nunca deixaremos de ter remorso. Somos fontes que jorram tanto águas amargas como doces, somos seres que tanto destroem como constroem, somos aquilo que fará matar e nascer... Os que ficam na linha tênue entre o céu e o inferno. E, em cada um de nós, há algo podre que tentamos ocultar.
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Imagem: (?)

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