sexta-feira, 5 de março de 2010

Fonte de Ouro





Data da experiência: 18.10.09


As primeiras impressões que tive, foi de um lugar onde havia um monte formado de milhões de moedas de ouro,  e tudo aquilo, brotava de uma fonte do cume daquele monte, que as jorravam ad eternum como um chafariz. Não vi ofendículo algum, estava numa área aberta cheia de árvores de savana, e ao redor daquele espaço se estendiam ruínas de uma cidade destruída(?). Era dia, até que me deparei com moribundos esqueléticos correndo em direção ao ouro. 

Eram pessoas comuns a meu ver, no entanto, encontravam-se naquele estado, só osso, pele e nenhum músculo. E ainda por cima, famélicos por riquezas.

Tentavam levar o máximo de bens possíveis, e quando achavam que carregavam o suficiente dando meia volta para partirem, simplesmente paravam e retornavam. Para o meu espanto, passavam a ajoelhar-se no intuito de engolir as moedas, como se aquelas que estavam em suas mãos não fossem o suficiente.

Aquilo foi ficando tão grotesco que seus abdômens começaram a inchar, cheguei a ver vários que tinham um estômago maior que o próprio corpo, e mesmo assim, continuavam magros com aquela enorme tumefação. (...)

E logo foram aparecendo mais e nenhum ia embora, não se saciavam, embora o ouro que jorrava fosse infinito, essa multidão de carcaças se espalhou por todo aquele lugar, e no horizonte, podia-se ver uma grande procissão da ganância composta dessas almas errantes.

Então a noite onírica chegou e passou rapidamente, para a minha estupefação diante daquilo que iria ver, a outrora multidão que ali se encontrava, havia se tornado uma montanha de corpos inertes sobre o monte dourado. Uma cena dantesca, todos morreram literalmente pela boca, vi poças formadas de sangue que escorriam pelos ânus, tripas por todo lado como consequência de explosões estomacais,  e o ouro ainda estava ali, brotando eternamente.

Ao despertar, cheguei a conclusão que a fome da alma nenhuma riqueza mata. Mas ela leva a matar o corpo vazio desta alma. 

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Imagem: Millenium, de Luis Royo

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