Data da experiência: 25.09.09
Em um platô passei a contemplar uma terra vazia e sem vida... Era um deserto que se abria com uma cordilheira montanhosa similar às cadeias de Cárpatos, e cujas areias ora ficavam na cor cinza, ora ficavam vermelhas quando o tempo onírico passava rapidamente.
Não parecia ter indício de crepúsculo ou algum raiar de sol, o firmamento revelava os astros se apagarem simbolizando a chegada da noite, assim como, acenderem simbolizando a chegada do dia. Quando o céu ficava numa treva completa, passava a ser majestosamente iluminado por uma estranha faixa de luz que despontava no horizonte, similar às auroras polares, mas sem estrelas no fundo.
Será que eu estava na Gênesis de tudo ou entre os restos daquilo que ficou de um Apocalipse?
E como aquele lugar trazia serenidade para a alma, todavia, um sentimento de busca incitava a mente, impondo-me a procurar algo perdido naquela vastidão de terras sem fim. Alguma coisa ali precisava ser achada e não poderia ser vista naquele platô, cujo relevo era bem mais baixo que o das montanhas.
Logo um clarão veio e eu já estava no sopé de uma delas, imediatamente subi a encosta íngreme cheia de rochas, e no seu decorrer, fui sendo bombardeado por vários tipos de emoções em determinados trajetos. Veio a raiva que se transformou em ódio, depois veio o pesar que se transformou em tristeza, e assim foi, a cada momento naquela escalada, recebendo uma enxurrada sensitiva sem origem ou causa determinada.
Quando consegui chegar ao topo sem nenhuma circunstância extraordinária a mais, de lá pude realmente ver o panorama daquele lugar. Era surreal! Aparentava ser outro planeta com uma beleza inóspita e silente, e aquela aurora se estendia ainda mais longe acima daqueles montes.
Então, novamente aquele sentimento de busca passou a impelir-me, e como as montanhas aparentavam serem da mesma altura, a minha perspectiva dali de cima se resumia a ver os vales secos entre elas, além de ver vários outros picos se sobressaírem por trás, o que significava ter que subir cada um para tentar achar o que procurava. E sem o sol para orientar qual ponto cardeal devesse seguir, acabei ficando a cargo de tomar uma vereda imaginária criada pelo desejo inconsciente.
Parecia viver a eternidade, pois procurar algo e não saber o que é ou quem era, já que a terra de ninguém não revelava nada! Depois da primeira montanha fui escalando inúmeras outras, procurando em muitos vales, sentindo muitas coisas, até que finalmente parei numa que parecia ser a maior de todas, percebi que era aquele lugar, imediatamente fui subindo até chegar ao seu topo, mas não havia nada ali.
Subitamente o desejo havia cessado, então sentei para repensar todo aquele progresso. Percebi como as estrelas brilhavam de maneira mais forte, estavam diferentes naquele topo, e em certos momentos, as nuvens ficavam no meio daquela montanha e o som dos ventos passava a ser uma melodia de descanso. Depois de tanto refletir vendo os astros se apagarem inúmeras vezes, cheguei a conclusão que o quê verdadeiramente buscava, era um lugar para achar a minha alma em um encontro com a solidão, e assim, responder a certas inquietações do meu coração.
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Imagem: (?)
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