Data da experiência: 23.09.09
De um modo onisciente presenciei uma reunião obscura sendo feita num escritório, e pelo que entendi, eles planejavam a forma que um culto iria se dar naquele dia. E entre escárnios e olhares perniciosos, afirmavam que iriam abrir o inferno na terra pelo preço da prosperidade. Também planejavam fazer falsos prodígios, falsas curas, impondo uma lavagem cerebral que condicionava as pessoas a ficarem neuróticas, desarmando assim, todas as medidas de defesas mentais e de assimilação de conflitos nas personalidades do povo.
Era o evangelho do medo, o evangelho repressor, da carne e do demônio, que manifestava sinais através de Belzebuth e não de Shekinah. Eles fomentavam a tradição dogmática hipócrita sobrepondo a verdadeira teologia primitiva, além de abusarem do temor incondicional do inferno, bitolando mentes a se fecharem em cadeias emocionais, tudo dentro de um maniqueísmo existente e real (não conforme a noção gnóstica), mas, sendo trazido sem lógica, coerência ou argumento; através de um fundamentalismo vazio, cheio de sofismas e de falácias. As glossolalias eram as próprias vozes das entidades que blasfemavam feitiços iguais aos ritos mais ocultos de Ordens mefistofélicas.
A Reverenda ria, afirmava ter o dom verdadeiro da profecia, e só suas revelações tinham validade para outorgar outras revelações. Naquele plano ela pregava um ascetismo deturpado, notava-se uma acentuada esquizofrenia que revelava uma personalidade cheia de mania, doente e confusa. Depois que materializei o meu corpo sob uma galeria igual a um anfiteatro (que mais parecia um grande templo), vi rostos conhecidos, embora já estivessem mais velhos desde a última vez que os vi fora do plano onírico.
Era a Seita, num momento de comunhão pseudocristão, onde caiam como que arrebatados em espírito, no entanto, tais arrebatamentos não os levavam para os céus, mas aos fossos, que se abriam no chão numa visão espiritual (dúplice daquela realidade). Criaturas em formas teratológicas com diversos aspectos animalescos, saiam dessas dimensões e puxavam os seus espíritos. Enquanto seus corpos no plano físico riam, imitando animais e urrando iguais a eles, pareciam escarnecer quem assistia num arroubo escandaloso.
Outra visão se abriu... Agora passei a contemplar uma Ordem oculta. Eles faziam orgias em prol de canalizarem/concentrarem as energias sexuais, e numa massa libertina que lembrava as festas de Bacchus, os seus adeptos pareciam morrer e entrar num estado de decomposição, chegando a tal ponto, que suas carnes ficaram pútridas, todavia, continuavam o frenético movimento da cópula. As suas musculaturas caiam em pedaços por causa da liquefação tecidual, e os principados angélicos que os guardavam, observavam com os braços cruzados aparentando estar deliciando-se. Eles (principados) tinham uma aparência antropozoomórfica e atingiam o teto daquele templo. E por fim, aqueles adeptos manifestavam as mesmas coisas da Seita, com relação aos pseudo-dons, e pareciam que cada cargo ministerial dentro da hierarquia da Ordem era trazido pra Seita, operando sinais, unificando enganos, num diabólico sincretismo similar ao do Império Romano, de quando Constantino cristianizou os deuses, os dias e os ritos pagãos.
Quando a visão acabou, voltei para o templo da Seita, músicas gregorianas eram tocadas, e então, resolvi sair daquele lugar. Foi quando vi que já havia muitas pessoas sentadas, aquele templo estava cheio, tantos rostos, tantos cegos, esperavam o Líder deles, e quando me levantei, a música parou e todos olharam pra mim, como se quisessem repreender-me. O silêncio foi ameaçador.
Pronto para um linchamento, saí calmamente pelos corredores até parar numa porta, quando a Reverenda apareceu e abriu as trancas falando:
- Aqui não é o seu lugar... Já há pessoas demais que enxergam!
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Imagem: (?), de valsebizarre
- Aqui não é o seu lugar... Já há pessoas demais que enxergam!
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Imagem: (?), de valsebizarre

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