
Data da experiência: 07/2000, provavelmente. Pois, à época, apenas datei o ano.
O primeiro manuscrito retratando fenômenos metafísicos.
Por causa da minha amiga (…) resolvi escrever este texto para breve relatar ao Grupo sobre esses novos ataques que estão acontecendo. Depois tudo não vi razão, brecha ou contato, pra isso acontecer. Já destruí todos os utensílios, livros e cds, mas mesmo assim estão vindo com tudo.
Desde a minha conversão observei como as coisas poderiam mudar pra mim, novas amizades, novos círculos, longe da bagunça que estava a minha vida. Mas hoje, ando cansado, já que as entidades não estão dando sinal de trégua.
Esse ataque veio depois do acampamento de adolescentes desse ano, não houve nenhum evento extraordinário naquele lugar maravilhoso, a não ser o fato de ter falado em línguas estranhas em uma vigília e, por isso, ter assustado muita gente. Depois os irmãos do Grupo orientaram e explicaram que muitas pessoas ainda não haviam sido “batizadas pelo fogo” e era pra não escandalizá-los na próxima vez.
Depois que cheguei à casa tudo estava uma bênção, até que fui dormir. Acredito que já era madrugada quando meus olhos espirituais se abriram. Fui levado a um lugar igual ao do acampamento, mas lá, não havia ninguém a não ser um jovem que ficava no meio do campo*.
Uma neblina espessa começou a tomar aquele lugar cobrindo toda área aberta. Ele ainda estava de costas quando cheguei, e antes de sumir naquela névoa ele se virou na minha direção e começou caminhar. Eu vi os seus olhos queimarem e brilharem num vermelho profundo. Pareciam chamas que emanavam ódio e não eram ocultados pela neblina, pois, seu fulgor a atravessava.
E começou avançar na minha direção, lentamente, então, fui trasladado para frente do templo**. Agora ele se encontrava na entrada, tudo estava escuro, mas, era iluminado pela aura daquela coisa. O lugar havia se tornado uma versão demoníaca do verdadeiro templo do acampamento. As estrelas não brilhavam assemelhando-se a um abismo no céu.
Ele desceu um degrau e sua feição jovial mudou para uma aparência mais adulta... Então aqueles olhos odientos emanaram diabolicamente uma opressão que penetrou a minha alma enfraquecendo-me num torpor. Ele começou a rir e bradou um feitiço, lembro-me somente da última palavra: daemonos.
Seu semblante trouxe a treva e o espaço começou a desaparecer restando apenas aquele brilho maldito que emanava de seu corpo. Era um ataque.
Eu acordei daquele estado e com os olhos físicos eu vi a entidade no meu quarto, parecia um espectro em forma de chama prateada planando, eu tentei estender a mão direita para expulsá-lo, mas o meu corpo ficou paralisado e sequer consegui abrir a boca pra chamar por socorro.
Depois veio o estrangulamento. Eu senti um peso no meu peitoral que estava deixando-me inconsciente, quando fechei os olhos orei mentalmente. Senti a morte chegar e os meus pensamentos foram ficando cada vez mais fortes.
Clamava em espírito, clamava pelo Eterno, o pavor e o medo foram tomando conta, até que a minha boca abriu e consegui repreendê-lo. Levantei já orando e a entidade não estava à vista. Eu não acreditei que depois de tudo, isso havia acontecido, não sei como se sucedeu, mas ao deitar sentindo um alívio na alma comecei a rir.
Então novamente a coisa apareceu e como já estava livre, expulsei em línguas e depois em português, logo o cansaço tomou o meu corpo. O ar do quarto já não estava opressivo, só tive tempo de cair em um sono profundo e calmo.
(...)
...
Espaço
*Campo: só ele acredito que comporte três campos de futebol, fora a área de mata e alojamentos.
**Templo: a nave tinha um telhado circular e seus pilares eram de madeira, não é murado, mas com vãos abertos.
Epílogo
Embora eu já tivesse passado por experiências desde a minha tenra infância até o final da adolescência. Esse foi o primeiro registro que fiz já no caminho da mão direita, em um momento da vida onde achava que tudo havia terminado, a jornada só estava começando. Eu não reclamo, já que durante nove anos aprendi a conviver novamente com isso. Adquirindo experiências e abrindo a mente e o espírito para uma noção além do materialismo e ateísmo vigente. Parafraseando Shakespeare,“existem coisas entre o céu e a terra que a ciência material e a vã filosofia não podem explicar”. 19.09.09
Embora eu já tivesse passado por experiências desde a minha tenra infância até o final da adolescência. Esse foi o primeiro registro que fiz já no caminho da mão direita, em um momento da vida onde achava que tudo havia terminado, a jornada só estava começando. Eu não reclamo, já que durante nove anos aprendi a conviver novamente com isso. Adquirindo experiências e abrindo a mente e o espírito para uma noção além do materialismo e ateísmo vigente. Parafraseando Shakespeare,“existem coisas entre o céu e a terra que a ciência material e a vã filosofia não podem explicar”. 19.09.09
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Imagem: Fire eyes, de yyslsel_ann
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